O que são as Cervejas Trapistas?

14/03/2016 - Estilos de Cerveja

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O que são as Cervejas Trapistas?

Henrique Cruz
Sommelier de Cervejas; Professor e Consultor; Cervejeiro Caseiro; Juiz BJCP;

Você já deve ter ouvido falar em Cervejas Trapistas, mas você sabe o que são e quais são seus diferenciais em meio as outras cervejas especiais?

O nome Trapista surgiu no mosteiro cisterciense de Nôtre-Dame de La Trappe, quando foi reformado em 1662 por Armand-Jean Le Bouthillier de Rancé, o fundador da Ordem Trapista – ou Ordem Cisterciense.

Durante muito tempo, os mosteiros produziram cervejas apenas pensando na qualidade de vida dos viajantes: a água era imprópria para consumo, o que tornava o processo de fabricação da cerveja perfeito para garantir a qualidade da bebida. Após ferver a água e fermentar, a maioria dos microorganismos morre, livrando assim o líquido das doenças letais da época. Por ser uma bebida altamente nutritiva, era também considerada a bebida dos monges. Nos tempos de jejum, as cervejas mais encorpadas eram fundamentais e serviam como alimentação.

A tradição permanece até hoje, com a produção das chamadas cervejas trapistas mas, ao contrário do que possa parecer, não existe um estilo de cervejatrapista”. Os estilos mais comuns produzidos pelos mosteiros são atualmente, Dubel, Tripel e Quadrupel. Mas para que uma cerveja seja considerada trapista, ela precisa estar dentro de alguns requisitos, que são eles:

Requisitos de uma Cerveja Trapista

cervejas_trapistasPara evitar a utilização indevida do termo Trapista, em 1997 foi criada uma instituição para controlar quem poderia ou não utilizar o selo de Trapista. Conhecida como ITA (Associação Trapista Internacional), incluía os 8 mosteiros iniciais: Orval, Chimay, Westvleteren, Rochefort, Westmalle, Achel, Koningshoeven e Mariawald. Atualmente 20 mosteiros que pertencem à ITA, porém, nem todos produzem cervejas. Os mosteiros também podem produzir outros produtos como queijos, licores, pães, mel e chocolate, produtos de higiene pessoal e produtos religiosos como velas e pinturas.

As cervejas Trapistas precisam primeiramente de um mosteiro ativo, certificado pela ordem. Atualmente existem 11 mosteiros produtores de cerveja com selo Trapista no mundo, infelizmente nenhum no Brasil. O selo Trapista, quando aplicado à cerveja ou aos alimentos, causa a mesma sensação do Champagne: é uma bebida exclusiva. No caso dos espumantes, a bebida só pode ser chamada de Champagne se tiver sido fabricada em uma pequena região chamada de Champagne, ao nordeste da França.

Os Mosteiros que produzem cervejas devem seguir os seguintes critérios:

  • A cerveja precisa ser fabricada dentro dos limites do mosteiro, obrigatoriamente pelos monges ou sob a supervisão deles.
  • Essa não pode ser a atividade principal do mosteiro, sempre seguindo os votos e as práticas de negócio aplicadas a vida monástica.
  • As vendas geradas pela cervejaria devem apenas cobrir o custo de vida dos monges e a manutenção dos equipamentos/patrimônio do mosteiro. Qualquer lucro que o mosteiro venha a ter com a venda das cervejas deve ser obrigatoriamente doado para instituições de caridade ou destinado ao auxílio de pessoas necessitadas.
  • Devem passar por um controle de qualidade rigoroso e constante.
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