Conheça a ousadia cervejeira da Morada Cia Etílica

14/05/2018 - Entrevistas, Notícias

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Conheça a ousadia cervejeira da Morada Cia Etílica

Ana Paula Komar
Jornalista, apaixonada por história, curiosa por culturas e apreciadora de boas cervejas!

Desde que surgiu, a Morada Cia Etílica inova em sabores, na constante busca por novas possibilidades. A cervejaria cigana, nascida em Curitiba, tem como marca registrada a ousadia em suas produções. De extrema qualidade sua busca está em desenvolver bebidas com técnica, que tenham conceito relevante, sejam provocadoras e interessantes para o consumidor.

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“A Morada Cia Etílica é uma companhia cigana que desenvolve bebidas de exceção – para quem tem sede curiosa e paladar inquieto”.

A cervejaria considera que sua missão é investigar ingredientes e técnicas para criar bebidas conceitualmente relevantes, artisticamente provocadoras e gastronomicamente interessantes, sempre explorando as lacunas, os entre estilos e os cantos esquecidos do universo etílico já que são totalmente contra a monotonia da zona de conforto.

Destaque no cenário cervejeiro nacional, a Morada Cia Etílica já ganhou diversos prêmios em concursos cervejeiros, principalmente com sua consagrada Morada Double Vienna Brut, uma cerveja que usa como base a tradicional Double Vienna, submetida ao processo de champanoise e maturada por 18 meses.

Com sete anos de existência, a Morada já criou receitas em parceria com cervejeiros dos Estados Unidos e da Bélgica, além de incríveis sidras artesanais de fermentação espontânea, sem adição de leveduras e também bebidas destiladas.

 

Entrevista com cervejeiro da Morada Cia Etílica

Conversamos com o cervejeiro e sócio fundador da Morada Cia Etílica, André Junqueira, que nos conta um pouco mais sobre a Morada e suas receitas ousadas e cheias de inovação.

 

Cerveja de Todos os Jeitos: Qual foi sua inspiração para começar a fazer cerveja?

André: Eu ganhei uma cerveja caseira de um amigo há alguns anos atrás e fiquei muito espantado com o aroma e sabor e quão diferente ela era das cervejas industriais. Sabendo que aquela era uma cerveja caseira, eu achei interessante e decidi que deveria procurar saber mais sobre o assunto para produzir a minha também.

 

Cerveja de Todos os Jeitos: Qual foi a primeira cerveja que produziu?

André: Foi uma cerveja do estilo Brow Ale.

 

Cerveja de Todos os Jeitos: Qual o diferencial da cervejaria Morada Etílica?

André: É um misto entre o detalhe da ousadia nas receitas e a estabilidade de aromas e sabores dos produtos. São cervejas com uma construção sólida no quesito sensorial e equilíbrio.

 

Cerveja de Todos os Jeitos: Quando e por que decidiu produzir e colocar no mercado receitas de paladar complexo, como as do estilo biere brut e sour? 

André: Desde o primeiro momento que comecei a provar cervejas diferentes, entender um pouco mais sobre os estilos e buscar aprender sobre esse meio, o que mais me interessou no mundo da cerveja foi a variedade. O quão infinita ela é e quantas possibilidades ela tem. Então, desde o primeiro momento o que eu busquei foi fazer algo que ainda não tinham disponível. A nossa proposta principal é ajudar justamente nessa questão da diversidade, explorar esses cantos que muitas vezes ficam abandonados. As nossas cervejas não são baseadas nas “modinhas”, são autorais, de opinião, estatisticamente relevantes e gastronomicamente interessantes.

 

Cerveja de Todos os Jeitos: Você acha que são cervejas ousadas para o mercado brasileiro? 

André: Elas não são cervejas extremas, são cervejas exóticas. Consideramos nossas produções como bebidas de exceção, justamente por explorarmos o que está fora do tradicional. Eu acredito que as nossas cervejas acabam chocando um pouco mais o público conhecedor. Já o novato, que nunca provou nada, não tem dificuldade, pois elas não são extremas, no sentido de muito alcoólicas ou muito amargas, são cervejas muito bem elaboradas e equilibradas. Como eu disse, elas acabam chocando mais, no bom sentido, o paladar daquele que é conhecedor, pois esse consegue encontrar os detalhes e a riqueza no que produzimos e isso não significa que elas não sejam cervejas também para iniciantes.

Cerveja de Todos os Jeitos: Como é o processo de criação de suas receitas?

André: O processo é constante. O tempo todo eu estou provando outras cervejas, outras marcas e outras bebidas, para descobrir novos sabores e o que pode funcionar em uma receita. Fazer teste, cerveja na panela, já fizemos muito, hoje estamos mais observando o time do mercado, da nossa marca, estudando o que é viável e o que vale a pena colocar para venda. Nós temos sete anos de estrada e até o momento temos cinco rótulos de linha, mas todas muito bem pensadas e produzidas. Não somos uma cervejaria que inventa, todo mês, um milhão de novidades para ganhar a atenção do público. Tentamos fazer receitas que não sejam tão passageiras, mas que sejam sólidas.

Cerveja de Todos os Jeitos: Sobre o último lançamento, a Abera Brut, como foi a colaborativa com a Stillwater Artisanal?

André: Foi muito interessante. A Stilwater é uma cervejaria também com características de ser mais uma criadora de tendências do que uma seguidora de modas, assim a parceria fluiu. Além de que a gente sempre pensava em fazer uma receita ousada como essa. Ela é uma cerveja ácida, com uso de leveduras selvagens e guardada por dois anos e meio em um processo de champenoise.

Normalmente nós gostamos mais de colaborar com quem está fora do meio cervejeiro, como produtores de cacau, de chocolate, de frutas ou de algum ingrediente, colaborar com pessoas de outros ramos, para poder enriquecer a cerveja. Mas, tem algumas cervejarias que eu acho que vale a pena, que tem boas ideias e não trabalha para criar mais do mesmo. Assim conseguimos criar produtos interessantes para colocar no mercado.

 

Cerveja de Todos os Jeitos: Como é ser uma cervejaria cigana e quais as vantagens desse modelo?

André: Nós somos a primeira cervejaria cigana no Brasil a adotar não só o modelo de produção terceirizado, mas também o discurso cigano, de claramente ser cigano e entrar também em outros ramos, como nossa produção de cervejas champenoise, que são produzidas em uma vinícola. O principal benefício de ser uma cervejaria cigana é a liberdade de criação, nós não temos aquela pressão de pagar o aluguel, funcionários e até mesmo financiamentos, que obrigam o comerciante a ter que vender de qualquer maneira para fechar o mês no azul. Poder dividir as tarefas da produção e execução nos possibilita concentrar na criação do produto, da marca, criando novas linhas e novas possibilidades.

 

Cerveja de Todos os Jeitos: Quais são os próximos projetos da Morada Cia Etílica, tem alguma novidade que já podemos esperar para 2018?

André: Para o final do próximo ano teremos um novo espumante. Também estamos engatilhados em produzir uma cerveja com cacau para a Páscoa. E em paralelo continuamos trabalhando com o projeto de destilados, em parceria com um pessoal de Belém do Pará, que está construindo uma fábrica lá, onde iremos executar nossa linha de destilados. Além de muitos outros projetos que estamos trabalhando.

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