Como é feito o Dry Hopping?

12/05/2020 - Homebrewing

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Como é feito o Dry Hopping?

Ana Paula Komar
Jornalista, apaixonada por história, curiosa por culturas e apreciadora de boas cervejas!

O Dry Hopping surgiu há alguns séculos atrás na Inglaterra quando os cervejeiros resolveram introduzir lúpulo diretamente aos barris pouco antes de mandá-los para as cervejarias. Hoje em dia o termo Dry Hopping é utilizado para descrever qualquer adição de lúpulo após o mosto ter sigo resfriado.

Por que fazer o Dry Hopping?

O lúpulo é utilizado por três finalidades: Amargor, sabor e aroma. O amargor é conseguido através da fervura onde os alfa-ácidos são transformados em iso-alfa ácidos. Quando se utiliza a técnica de dry hopping, como não temos mais a alta temperatura, esses alfa ácidos não se transformam e aproveitamos dos lúpulos apenas os óleos essenciais, responsáveis por sabor e aroma, sendo assim, temos uma cerveja com muito sabor e aroma de lúpulo sem amargar.

Quando fazer? 

Existem três momentos em que o dry hopping é comumente realizado:

  • Primeira Fermentação: Você pode adicionar lúpulo junto com a levedura sem problemas. A desvantagem é o fato da alta agitação no mosto volatilizar os óleos essenciais com maior facilidade. Porém, esse método evita ficar expondo o mosto ao oxigênio por mais vezes.
  • Segunda Fermentação: Esse é o momento mais utilizado. Aqui aquela agitação vigorosa da levedura já cessou, portanto, o lúpulo pode repousar tranquilo no seu mosto e transferir melhor os óleos essenciais. A desvantagem, como citado acima é voltar a abrir o fermentador mais vezes.
  • Diretamente no Keg: O melhor dos dois mundos, pois não temos mais atividades de leveduras e não ficaremos abrindo fermentadores. Mas claro que também existem desvantagens nesse momento, o lúpulo precisa ser adicionado em um saco ou filtro para que não corra o risco de na extração pela chopeira os resíduos de lúpulo entupam seu sistema.

Quais lúpulos usar?

Tecnicamente qualquer lúpulo indicado como próprio para aroma pode ser utilizado, tendo ele uma quantia inferior a 6% de alfa ácidos, pode ser considerado um bom lúpulo para tal. Exemplos clássicos são: Cascade, Crystal, Willamette, East Kent Golding, Fuggle, Saaz, Hallertau, Tettnanger…

Na prática, qualquer lúpulo que lhe agrade pode ser utilizado! Não tenha medo de arriscar afinal, a maior diversão do homebrew é justamente fazer aquilo que ainda não foi feito, certo?

Quanto de lúpulo usar?

Via de regra o mais comum é algo entre 1 e 3 gramas de lúpulo para cada litro de cerveja. Mas na realidade, quem se importa? Para um hophead que se preze, quanto mais lúpulo melhor. Tem casos de cervejas com mais de 10 gramas de lúpulo por litro!

Solto ou no saquinho?

Quando se utiliza o lúpulo solto pelo mosto, a área de contato é maior, assim aproveitando melhor os óleos essenciais. Porém corre o risco de deixar a cerveja turva devido a dificuldade de decantar isso depois.

Para resolver esse problema é comum o uso de saquinhos com o lúpulo dentro, chamados de hop bag. Mas aí devido a contenção, temos menor absorção. Pra quem gosta de usar o hop bag é comum colocar cerca de 10% a mais de lúpulo como garantia.

>> Passo a passo para fazer a fermentação da cerveja <<

Existe ainda uma terceira alternativa (minha preferida aliás) que são cestos de inox com tampa chamados de hop spider. Dessa forma temos uma contenção pros resíduos de lúpulo mas com maior área de contato.

Apenas não se esqueçam: Se usar hop bag ou hop spider, sanitizem bem antes de usar. O lúpulo pode ser estéril, mas suas ferramentas não!

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