O Surrealismo no Cinema

30/07/2018 - Momento Cervejeiro, Prazeres Correlatos

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O Surrealismo no Cinema

Lucas Pilatti

Depois de conhecemos ou relembrarmos um pouco sobre a tão importante Montagem Soviética no post passado, é hora de partirmos para outra vertente artística conhecida como Surrealismo no cinema.

>>>Confira aqui a Montagem soviética no cinema<<<

Esse movimento artístico surgiu na França do século 20, no período entre as duas Guerras Mundiais. Começou como um movimento literário que se baseava na associação livre de ideias como forma a libertar o subconsciente do Realismo, mostrando como ocorrem os processos primários que fazem o pensamento humano acontecer.

André Breton foi quem trouxe a ideia e fez acontecer, escrevendo assim, o Manifesto Surrealista no cinemaem 1924.

“O Surrealismo é um automatismo psíquico pelo qual alguém se propõe a exprimir, seja verbalmente, seja por escrito, seja de qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento”.  – BRETON, André. Manifesto do Surrealismo. 1924.

Philippe Soupault, colaborador de Breton na criação do Surrealismo no cinema, disse que acreditava que o cinema pudesse apresentar grandes possibilidades de expressar, transfigurar e realizar sonhos.

Em geral, os filmes surrealistas tentavam – e conseguiam – explorar de maneira onírica o subconsciente humano. Para isso, as mais confusas cenas da história do cinema foram se criando, como uma bailarina que se transforma em um homem barbado e um carro funerário que viaja pelos trilhos de uma montanha-russa no filme “Entreato”, de 1924, dirigido por René Clair. Artistas consagrados do Dadaísmo aparecem no filme, como Man Ray e Marcel Duchamp.

Mas nada se compara ao filme “Um Cão Andaluz”, de Luis Buñuel, lançado em 1929. Buñuel sentou com Salvador Dalí e escreveram o roteiro do filme em parceria, o que ajudou os dois a serem “aceitos” no Surrealismo.

Logo no primeiro minuto, aparece Buñuel fumando um charuto e afiando sua navalha, e é com esse objeto que, após observar o céu, ele corta o olho de uma mulher. Durante o filme, nos deparamos com formigas na mão de um personagem, burros mortos em cima de pianos, um homem que acaricia os seios de uma mulher, um livro que se transforma em uma pistola e por aí vai.

Na autobiografia de Luis Buñuel, o diretor fala como ele e Salvador Dalí trabalharam nessa obra: “Nossa única regra era muito simples: não aceitaríamos nenhuma ideia ou imagem que pudesse se prestar a uma explicação racional de qualquer espécie. Precisávamos abrir todas as portas da irracionalidade e manter apenas as imagens que nos surpreendiam, sem tentarmos explicar por quê.” E essa declaração explica muito bem o que é o Surrealismo no cinema como movimento artístico.

Em 1945, Salvador Dalí foi contratado para realizar uma sequência de sonho para o filme “Quando Fala o Coração”, de Alfred Hitchcock. Mostrando que o Surrealismo conseguiu chegar ao cinema comercial.

Além dos filmes citados, gostaria de indicar as obras A Concha e o Clérigo (1928) de Germaine Dulac, A Idade do Ouro (1930) e O Anjo Exterminador (1962), ambos de Luis Buñuel.

Será que eu consegui plantar uma curiosidade em você? A harmonização perfeita para esse movimento artístico não poderia ser algo diferente da cervejaria dinamarquesa To Øl e seus rótulos extremamente psicodélicos e surrealistas.

 

Boas cervejas e boa sessão!

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