Achouffe – O vilarejo encantado de Houffalize

19/05/2020 - Notícias

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Achouffe – O vilarejo encantado de Houffalize

Enzo Molinari
Administrador de empresas e amante da cultura cervejeira. Homebrewer, BJCP Provisional Judge e beer sommelier.

Existem alguns lugares mágicos que te fazem querer voltar sempre. Achouffe é um deles. Trata-se de um pequeno vilarejo no município de Houffalize, no sul da Bélgica.

Na minha primeira viagem cervejeira, em 2015, consegui encaixar uma tarde de sol nesta vila, que é o berço da Brasserie d’Achouffe, aquela cervejaria que produz as cervejas dos gnomos e onde tentaria uma visita inesperada. Saímos de Dinant em um bate-volta rápido e à medida que íamos nos aproximando do vilarejo o cenário ia se desenhando.

A estrada de mão simples acompanhada de florestas tipicamente europeias formava o habitat natural de gnomos e duendes. De repente, beirando a estrada, dois enormes gnomos indicavam a entrada da vila. Não tinha como errar.

A terra dos gnomos

Mal cheguei e já me senti possuído pela energia local. Praticamente todas as casas, pousadas e restaurantes tinham alguma referência aos gnomos. O sentimento era de que a qualquer momento iria encontrar um ser místico vivo, falante e dançante.

Não hesitei, rumei direto à Brasserie. A cervejaria é o coração do vilarejo, todos os caminhos levavam até lá. Como éramos os únicos turistas em plena quinta-feira e não tínhamos visita agendada, os funcionários permitiram que andássemos à vontade pela cervejaria.

As instalações não são grandes e apenas uma pequena parte das cervejas da Achouffe é produzida ali, de modo que a visita é relativamente simples e rápida.

Saímos da cervejaria e fomos para o trono. Isso mesmo. Na frente da cervejaria há um enorme trono, no meio de um gramado e à beira de um lago. Mais uma vez tive a impressão de que a qualquer momento um pequenino homem apareceria fazendo traquinagens.

Como não podia ser diferente, almoçamos no Taverne de la Achouffe, um dos restaurantes que vende a cerveja produzida do outro lado da rua. Ah, a cerveja fresca! Degustei a La Chouffe, a Houblon Chouffe e a Cherry Chouffe. O relógio acusava que já era hora de ir embora. Passou rápido demais. A ideia de passar algumas noites lá se fixou de tal forma que deixei o vilarejo decidido a voltar.

Dormindo com a cerveja

E assim foi. Ano passado planejei a viagem cervejeira com duas noites em Achouffe. Chegamos numa sexta-feira à noite e paramos em um bar local para jantar.

O casal anfitrião nos recebeu muito bem com uma “simples porção”, segundo eles. Era, na realidade, uma belíssima porção belga de queijos e embutidos. Perfeito para iniciar a jornada cervejeira daquele final de semana.

No caminho para a nossa pousada, a saudade nos fez parar na frente da Brasserie d’Achouffe e ela nos aguardava toda iluminada, vestindo a touca do gnomo.

Nos hospedamos na La Vieille Forge, uma espécie de estalagem anexa à Brasserie Inter-Pol, a menor cervejaria oficial da Bélgica. São apenas 05 quartos, cada qual decorado com um tema de uma cervejaria. Ficamos com o quarto da Duvel.

Era preciso recarregar as energias porque o dia seguinte seria cheio, mas como dormir em um quarto dentro de uma cervejaria e todo decorado com o tema de uma cerveja que você gosta muito?

Sonho realizado

Amanheceu. Lá fora caía uma neve fina. Tomamos café da manhã acompanhados da proprietária da pousada e seu marido, o mestre-cervejeiro e dono da Inter-Pol. Eles nos apresentaram seus rótulos e abrimos a Witte Pol, sua Witbier recém-produzida. Fizeram questão de que, à noite, conhecêssemos a sua cervejaria e o bar anexo, que só abre aos finais de semana.

Apesar do frio, partimos para cumprir nosso cronograma cervejeiro: passamos o dia entre a Lupulus (que contei na edição de setembro) e a Fantôme (que ainda terá sua história).

Voltamos para jantar no La Petite Fontaine, o outro restaurante que serve as Chouffe frescas e onde pude realizar o sonho de tomar a N’ice Chouffe, uma Belgian Dark Strong Ale sazonal perfeita para dias frios.

No retorno à pousada, em meio àquela noite fria e com céu estrelado longe das luzes da cidade, me peguei pensando: é a Achouffe que faz cerveja para os gnomos ou são os gnomos que fazem cerveja para a Achouffe? Sou capaz de jurar que nessa noite vi alguns deles se escondendo nos cantos do vilarejo.

Terminamos a noite no Au Grand Cafe Inter-Pol, o bar da cervejaria em que nos hospedamos, degustando a Zwarte Pol, uma Milk Stout com aquele toque belga, enquanto o Pol nos apresentava a sua nanocervejaria e falávamos de processos de produção e cervejarias belgas e brasileiras. Que noite! Que lugar!

No dia seguinte partimos cedo para visitar os mosteiros da Val-Dieu e Averbode, com o sentimento de que uma parte de mim ficou na Achouffe e uma parte da Achouffe veio comigo.

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