Qualidades do ser humano, características das cervejas

12/06/2018 - Prazeres Correlatos

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Qualidades do ser humano, características das cervejas

Fábio Luporini
Jornalista, professor de filosofia e sociologia e responsável pelo Portal Duo.

O universo da cerveja é grande. Quase que infinito. São diferentes tipos, diversos processos. E um sem número de qualidades e características que se podem extrair antes, durante e depois da fermentação. Se você, assim como eu, embarcou nessa viagem, vai perceber que descobrirá muitas novidades. Mas, ainda existirão milhares de outras surpresas reservadas. Assim como o surpreendente mundo das nossas amizades. E, se pessoas boas bebem boas cervejas, tal qual diz o provérbio celta, isso quer dizer que algumas características e qualidades encontradas no ser humano também podem ser encontradas nessa bebida milenar. No artigo de hoje vamos falar das qualidades do ser humano e características das cervejas

“Pessoas boas bebem boas cervejas”, antigo provérbio celta.

Obviamente não será possível citar ou se lembrar de tantos estilos de cerveja. Entretanto, só para exemplificar, aqui vão alguns. As lagers, por exemplo, são as cervejas mais consumidas no mundo e se caracterizam pela fermentação de baixa temperatura. Já as cervejas do tipo ale têm uma fermentação em temperaturas mais altas, além de sabores mais complexos, sendo mais encorpadas e vigorosas. E há ainda as de fermentação espontânea. Essas são difíceis de serem encontradas.

Claro que, dentro desses três diferentes tipos supracitados, existe outra infinidade de variações. E o artigo de hoje é justamente uma reflexão sobre a diversidade. Ora, da mesma forma que encontramos cervejas diferentes, às quais atribuímos características e qualidades como forte, suave, leve, amarga, ácida, etc., também podemos comparar essa variação ao nosso círculo de amigos.

>>> A cerveja que agrega <<<

Temos amigos mais fortes, algumas amizades mais leves, outras pessoas que convivem conosco são mais amargas e ácidas e assim por diante. Quem nunca associou uma cerveja a um amigo por afinidade de características e qualidades. Claro, o paladar é surpreendente. Mas, veja: só para se ter um exemplo. O pensador (filósofo e sociólogo) polonês Zigmunt Bauman criou a teoria da modernidade líquida, incluído nesse aspecto as relações e amizades líquidas.

O líquido escorre pelas mãos. E é por isso que Bauman o compara às nossas relações interpessoais na modernidade. Estamos o tempo todo deixando as amizades escorrerem. Não construímos mais relações fortes e duradouras. Mas, o que isso tem a ver com a cerveja? Não há algumas que escorrem deliciosamente pelo paladar? As refrescantes, num dia de calor, por exemplo?

Por outro lado, existem cervejas mais fortes e encorpadas. Algumas, até mesmo bem amargas. Não apenas pela torra, mas pela combinação de ingredientes ou pela determinada fermentação. Em nossas amizades também vamos encontrar aqueles amigos ou aquelas situações que não descem facilmente em nossa garganta. Coisas que ficam “entaladas” ali. Ou então pessoas extremamente fortes: persistentes, guerreiras e marcantes. Afinal, quantas cervejas nos marcaram pelo sabor?

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